Diálogo sobre a Burrice e o Capitalismo


- Socorro!
- Cale a boca! Me passa a bolsa!
- Meu Deus, sai daqui!
- Me passa a bolsa senão te mato...
- Vou chamar a polícia!
- Se der um grito rasgo sua garganta.
- Você não teria coragem.
- Ah, não?
- Não. Essa faca de cozinha não mata ninguém. Eu vou gritar!
- Cale a boca.
- Moço, estou apertada, me deixa ir embora.
- Me passa a bolsa, primeiro!
- Mas a bolsa não tem valor, seu moço! Comprei em uma barraquinha.
- Eu não quero a sua bolsa, sua idiota!
- Você disse agora à pouco que queria a minha bolsa...
- Mas...
- Estava até pensando em dá-la para você. Combinaria com sua touca preta. Mas você não sabe o que quer. Vou embora.
- Vou te matar, desgraçada!
- Mais respeito comigo, por favor! Sou mulher de família.
- Eu quero o seu dinheiro.
- Dinheiro? Que dinheiro?
- Dinheiro, que está aí dentro da sua bolsa...
- Aqui dentro não tem nada, senhor. Que dinheiro?
- Dinheiro, cascalho, grana, você não sabe o que é dinheiro?
- Dinheiro?
- É isso daqui, olha só!
- Mas... que nota bonita. É azulzinha.
- Linda, não é? Acabei de roubar.
- Dá aqui essa merda!
- Ei, volte aqui com meu dinheiro! Socorro, esta mulher me assaltou, me ajudem, por favor!

Aviso:

Caros Leitores:

Ficarei algumas semanas a mais sem postar texto algum neste digníssimo blogue. Os motivos se encontram aqui (http://tropeceiemumaideia.blogspot.com/).


Agradeço a atenção,

Leandro Fonseca.

Pirofagia


Os teus olhos chamejantes
Cegam o meu corpo lânguido
Enquanto as tuas mãos
Serpenteiam no deserto da minha pele,
Trazendo vida ao meu espírito caído
Com o suor tépido que brota
Das nossas trêmulas carnes.


Tomba o meu corpo débil
Como uma árvore ressequida
E queima o céu da minha boca
Explodindo as minhas estrelas cadentes
Para que tu não te esqueças
Desta noite em que desmaiaram
Fogos coloridos e escaldantes
No quintal dos nossos sentimentos.