Foi um sábado longo

Tarde quente. Os mosquitos picavam, alvoroçados.
Maria Cleusa, parada no ponto de ônibus, esperava impaciente voltar para sua casa. Trabalhar aos sábados não era fácil, tinha de sustentar dois filhos pequenos de pai indefinido.
Quando não havia mais o que roer das unhas, deixou descansar o corpo nos degraus da entrada de um cabelereiro. Foi quando, enfim, ao longe vinha o automóvel, resmungando como um velho decrépito. Ela saltou dos degraus em direção ao ônibus. Mesmo estendendo burlescamente os braços, o motorista pareceu não a ter visto e seguiu viagem.
Maria Cleusa berrou impropérios e palavrões. Xingou tanto que não teve oportunidade de ver o mesmo ônibus passando novamente em sua frente.
Foi um sábado longo.

Um comentário:

A Noiva Cadáver disse...

Puta que o pariu mesmo, coitada da Maria Cleusa.