Nem todas as histórias têm final feliz

Ela lia Bukowski enquanto fodíamos. É estranho dizer isso, pode soar um tanto pós-moderno, mas o fato é que isso realmente acontecia. Após o trabalho, ela descalçava as sandálias e avançava em meu corpo de um jeito que realmente era difícil eu não me desequilibrar. E assim era todos os dias, quase por toda noite, e abria qualquer livro do escritor beberrão e gemia. No começo eu chegava a prestar atenção em cada linha lida, mas depois pouco me importava com aquilo tudo. Seus gemidos misturavam-se com cada vírgula, cada parte da história, e no ponto final de cada capítulo ela gozava. Isso chegava a me perturbar, até o dia em que ela não quis trepar comigo, fugiu para o banheiro com o meu livro e se masturbou. Tive que tomar uma iniciativa. Em nossa vida cabia apenas eu e ela, e não um escritor escroto que já estava morto há muito tempo. Enquanto ela não chegava do trabalho, rasguei todos os livros que eu possuia dele, página por página, e botei fogo em tudo. Ela descobriu o que eu havia feito, me bateu, cuspiu na minha cara, arranhou os meus braços, pegou suas roupas e foi embora para sempre. Eu me sentia um homem completamente traído.

5 comentários:

roberyk disse...

Leandro, só tenho uma palavra para descrever o texto: Maravilhoso.

Estou te devendo mais visitas.
Grande abraço.

ginger disse...

Gostei desse, Lê

ginger disse...

Ah, ginger sou eu (Denise Ravizzoni)

Michele disse...

Meu ex ODEIA meus livros com toda a força do ser dele!! O que se pode fazer se ele não conseguia se tornar tão interessante, quanto os livros...quem errou foi ele!!rsrs

Yerow disse...

Cara, tu és um legítimo manipulador de palavras, em todos os sentidos. Um artista, pura exaltação. Abraços.