Ópera da lua triste

A lua adoecida cintila lânguida pela janela. É um dia daqueles em que apenas um copo de uísque te entende. Havia ao meu lado, no entanto, aquela figura que cobria seu corpo nu em toalha úmida, o vapor do banho ainda pairado em seu corpo. Era aquele o homem que com o silêncio deixava a lua ainda mais pálida.
Na minha boca havia um gosto amargo. O cigarro amarelava os dedos, apodrecia os meus pulmões e tirava a dor por alguns segundos, a dor de nascença e incurável, esse medo pela vida. A embriaguez dilatava as minhas pupilas, dilatava os meus vasos sanguíneos, dilatava a minha alma. E ele, aquele homem em sua toalha, encarava o vazio da noite como quem não tem outra opção a não ser fazer aquilo.
Eu tinha medo de seus olhos, e descobri, logo depois que ele lançou pela janela a guimba de seu cigarro, que o amargor ou amargura na garganta piorava a cada segundo, aquele gosto de porra que me lançaram na escuridão do céu da boca, e no céu da lua reinava apenas a tristeza, e ele, aquele homem ao meu lado, queria mergulhar nela. Ele sabia que minha dor não tinha cura, e que a vida leva a porra nenhuma.

Um comentário:

A Noiva Cadáver disse...

Gostei.
:)
"Ele sabia que minha dor não tinha cura, e que a vida leva a porra nenhuma."